Cidade lidera o ranking nacional de preços e entra em nova fase de valorização, segundo especialistas do mercado imobiliário
Líder nacional em preço do metro quadrado há mais de três anos, Balneário Camboriú inicia uma nova fase de valorização imobiliária que pode levar alguns valores a dobrar até 2030. A projeção é da Sort Investimentos, empresa especializada em investimentos imobiliários. Segundo o Índice FipeZAP, que monitora preços de venda de imóveis residenciais em 56 cidades brasileiras, o valor médio do metro quadrado no município está em R$ 14.906, superando capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis. Em áreas mais valorizadas, como a orla, os preços já ultrapassam R$ 50 mil por metro quadrado, com casos que superam R$ 100 mil. Entenda o que está por trás dessa valorização e o que ela representa para quem pensa em comprar ou investir na cidade.
Três fases de um ciclo de valorização
Segundo Renato Monteiro, CEO da Sort Investimentos, o momento atual do mercado pode ser dividido em três fases distintas. Em 2021, teve início o ciclo de valorização atual, marcado pelo lançamento de projetos de ultra-luxo e pela adoção de arquitetura internacional, o que reposicionou a cidade no radar de investidores de alto padrão. Em 2022, o movimento ganhou força com a consolidação do mercado de alto padrão, marcada pela chegada de grifes internacionais e pelo aumento da demanda de investidores globais.
Para Monteiro, em 2026 o processo atinge um novo estágio, no qual a cidade passa a ser reconhecida como um destino imobiliário de ultra-luxo internacionalizado, com valorização acelerada e liquidez global. Ele destaca que essa valorização não deve ocorrer de forma homogênea em toda a cidade: a tendência é que o crescimento mais expressivo se concentre em empreendimentos específicos, alinhados ao perfil de investidores internacionais, e não em todo o estoque imobiliário do município.
Quanto pode valer o metro quadrado até 2030
De acordo com a estimativa da Sort Investimentos, em determinadas regiões e em projetos considerados diferenciados, o valor do metro quadrado pode alcançar R$ 40 mil até o fim da década. Para ilustrar o potencial de retorno, Monteiro apresenta uma simulação: um investimento de R$ 5 milhões em 2025, considerando valorização média anual de 16%, poderia alcançar cerca de R$ 13,38 milhões em 2030, um ganho de R$ 8,38 milhões, ou 167,6% no período.
Esse cálculo ajuda a explicar por que imóveis premium em Balneário Camboriú passaram a competir diretamente com fundos e outros ativos financeiros globais na visão de parte dos investidores. Segundo o especialista, os ativos com maior potencial de valorização reúnem diferenciais objetivos, como arquitetura internacional, grifes reconhecidas, certificações ambientais e conceitos avançados de bem-estar, características que ajudam a preservar valor e manter liquidez mesmo em cenários macroeconômicos mais restritivos.
Escassez de terrenos empurra o mercado para cidades vizinhas
Apesar da valorização contínua, o primeiro trimestre de 2026 mostrou um recuo pontual no volume de negócios: as vendas de imóveis novos caíram 0,5% em Balneário Camboriú e 54% em Itapema, enquanto os lançamentos recuaram 8% e 54%, respectivamente, segundo dados da consultoria Brain. Mesmo assim, a presença de compradores de Santa Catarina, Curitiba, São Paulo e do Centro-Oeste continua sustentando a demanda na região.
Com terrenos cada vez mais escassos e preços já no topo do ranking nacional, o mercado residencial de luxo do litoral norte catarinense começa a se expandir para cidades vizinhas, como Balneário Piçarras e Penha. A incorporadora Boutiq, por exemplo, chega a essas duas cidades com dois empreendimentos que somam um Valor Geral de Vendas estimado entre R$ 1,1 bilhão e R$ 1,3 bilhão, parte financiada com recursos próprios. A diversificação patrimonial de famílias ligadas ao agronegócio também tem impulsionado esses novos investimentos, e a Brain avalia que, apesar do preço elevado, a região não apresenta sinais de bolha imobiliária.
O quadro geral sugere que Balneário Camboriú segue como referência nacional em valorização imobiliária, mas que o crescimento dos próximos anos deve ser mais concentrado em nichos específicos do mercado, enquanto cidades vizinhas absorvem parte da demanda que não encontra mais terreno disponível na cidade principal. Para quem acompanha o setor, os próximos relatórios trimestrais devem mostrar se a projeção de dobrar o metro quadrado até 2030 se confirma na prática.
Fontes consultadas: ND Mais, “Cidade mais cara do Brasil vive ‘valorização acelerada’ e pode dobrar o valor do m²”: https://ndmais.com.br/economia/balneario-camboriu-vive-valorizacao-acelerada-e-pode-dobrar-o-valor-do-m%C2%B2/ Portas, “Mercado de luxo avança para vizinhas de Balneário Camboriú”: https://portas.com.br/dados-inteligencia/preco-por-regiao/mercado-de-luxo-avanca-para-vizinhas-de-balneario-camboriu/