Paulo Roberto Gomes Fernandes observa que entidades setoriais ganham importância quando transformam comemorações em agenda concreta. Em 2014, a Associação Brasileira de Engenharia de Montagens Industriais, ABEMI, celebrou meio século de existência em São Paulo ao mesmo tempo, em que deu posse a uma nova diretoria, conduzindo a reeleição de Antonio Muller para mais dois anos à frente da instituição. O encontro reuniu empresários de engenharia industrial e representantes de companhias associadas.
Com mais de uma centena de empresas associadas naquele período, a ABEMI vinha sustentando um programa de qualificação das filiadas, buscando elevar padrões de gestão, desempenho e conformidade. Além disso, a associação mantinha como bandeira a cultura do conteúdo nacional, defendida como estratégia para fortalecer a cadeia produtiva e ampliar a competitividade das montagens industriais brasileiras no mercado interno e externo.
Uma comemoração com foco institucional
Celebrar 50 anos pode parecer apenas um rito simbólico, contudo a data foi usada como oportunidade para reafirmar prioridades do setor. A cerimônia de posse, acompanhada de um jantar de confraternização, reforçou a visão de que a engenharia industrial depende de articulação coletiva para avançar em produtividade, governança e entrega. Nesse sentido, a presença de lideranças empresariais sinalizava o esforço de manter a ABEMI como fórum de coordenação em um segmento sensível a ciclos econômicos.
Segundo Paulo Roberto Gomes Fernandes, a legitimidade desse papel aumenta quando a associação traduz demandas em propostas técnicas e compromissos de execução. A reeleição de Antonio Muller ocorreu em um contexto de incertezas, com 2014 marcado por grandes eventos e por um ambiente pré-eleitoral. Ainda assim, a diretoria projetava que o reaquecimento de investimentos em infraestrutura poderia ocorrer a partir de 2015, desde que houvesse condições de financiamento, previsibilidade regulatória e ambiente de contratação mais estável.
Conteúdo nacional e qualificação como estratégia
A defesa do conteúdo nacional foi tratada como eixo de longo prazo, não como discurso pontual. A ideia era apoiar a formação de competências locais, reduzir dependências e consolidar um ecossistema de fornecedores capaz de atender projetos complexos, mantendo padrões de qualidade e segurança. Por conseguinte, programas de qualificação das associadas ganham relevância, pois conectam capacitação técnica a práticas de gestão e a exigências de compliance presentes em contratos industriais.
Na avaliação de Paulo Roberto Gomes Fernandes, a competitividade do setor não nasce apenas do preço, ela depende de performance comprovada, capacidade de planejamento, controle de prazos e qualidade de execução. Assim, iniciativas associativas que disseminam boas práticas podem elevar o patamar médio do mercado e melhorar a confiança de contratantes, especialmente em segmentos que operam com alto risco operacional.

Expectativas para investimentos e a agenda de competitividade
Antonio Muller demonstrou otimismo ao reconhecer problemas do momento, mas apontar negociações em andamento em diferentes setores da economia. A expectativa era que investimentos voltassem a ganhar ritmo no ciclo seguinte, o que exigiria prontidão das empresas para aproveitar oportunidades. Entretanto, prontidão envolve capital humano, processos maduros e capacidade de cumprir requisitos técnicos e contratuais com consistência.
Sob a perspectiva de Paulo Roberto Gomes Fernandes, a mobilização do setor precisa equilibrar ambição e realismo, com planejamento que considere variações de demanda, exigências de contratantes e mudanças regulatórias. Dessa forma, a defesa de diferenciais competitivos passa por demonstrar entregas, melhorar desempenho e consolidar reputação, sem depender apenas de conjunturas favoráveis.
Reconhecimento às associadas e mobilização coletiva
Ao agradecer às empresas associadas e ao grupo diretivo, Muller ressaltou a importância de atuação conjunta e do compromisso com a engenharia nacional. Também mencionou a relevância de clientes estratégicos, com destaque para a Petrobras, tratada como parceira histórica em diferentes momentos do setor. Ainda assim, o discurso principal permaneceu centrado em elevar competitividade e fortalecer capacidades internas das empresas brasileiras de montagens industriais.
Como considera Paulo Roberto Gomes Fernandes, associações setoriais funcionam melhor quando mantêm uma pauta contínua, com métricas e compromissos verificáveis, em vez de depender apenas de encontros formais. Nesse sentido, o marco de 2014 pode ser lido como um ponto de reafirmação: preservar a defesa do conteúdo nacional, estimular qualificação e sustentar a mobilização coletiva para que a engenharia industrial brasileira avance em um cenário de competição crescente.
Autor: Elena Vlachos
