A EBS – Empresa Brasileira de Saneamento faz parte de uma cadeia de serviços que depende diretamente da saúde de rios, nascentes e áreas de recarga para funcionar de forma sustentável. Sem mananciais preservados, mesmo a estação de tratamento mais moderna enfrenta dificuldade para garantir água de qualidade em volume suficiente para abastecer a população ao longo de todas as estações do ano.
O Brasil concentra parcela significativa da água doce superficial do planeta e reservatórios subterrâneos estratégicos, como o Aquífero Guarani. Mas, apesar dessa abundância relativa, o país enfrenta crises de abastecimento com grande frequência, o que reforça que segurança hídrica depende menos da quantidade absoluta de água disponível e mais da forma como essa água é protegida e gerida ao longo do tempo.
Relatórios internacionais sobre segurança hídrica apontam que a escassez de água pode atingir até metade da população mundial nas próximas décadas caso os padrões atuais de consumo e degradação ambiental não apresentem melhoras significativas. Para um país com a dimensão territorial e a diversidade hídrica do Brasil, essa perspectiva reforça a importância de tratar a preservação de mananciais como parte central da política de saneamento e não como pauta secundária.
A relação direta entre mananciais preservados e custo de tratamento
Bacias hidrográficas degradadas, com desmatamento ao redor de nascentes e ocupação irregular de áreas de preservação, tendem a produzir água mais turva e com maior carga de sedimentos e poluentes, o que exige processos de tratamento mais complexos e onerosos, encarecendo a operação das estações e, em última instância, pressionando as tarifas cobradas da população. Municípios que investem continuamente na proteção de suas bacias tendem a apresentar custos operacionais mais previsíveis ao longo do tempo.
Entre os profissionais que discutem o tema, incluindo especialistas da EBS, proteger mananciais é cada vez mais visto como parte da própria eficiência operacional do setor, e não apenas como agenda ambiental isolada.
Bacias hidrográficas como ativo estratégico do saneamento
Programas de recuperação florestal ao redor de nascentes, cercamento de áreas de preservação permanente e monitoramento contínuo da qualidade da água bruta figuram entre as práticas mais recomendadas para reduzir a pressão sobre mananciais urbanos e rurais utilizados para abastecimento público.
Sob essa ótica, empresas como a EBS-Empresa Brasileira de Saneamento passam a tratar bacias hidrográficas como ativos estratégicos, tão essenciais para a operação quanto estações de tratamento e redes de distribuição, já que a qualidade da água na origem impacta diretamente toda a cadeia de tratamento e distribuição.

Pagamento por serviços ambientais ganha espaço no setor
Modelos de pagamento por serviços ambientais, nos quais proprietários rurais recebem incentivos financeiros para preservar vegetação nativa e proteger nascentes em suas terras, têm se espalhado por diferentes estados brasileiros como estratégia complementar às obras convencionais de saneamento, especialmente em bacias que abastecem grandes centros urbanos.
Esses programas costumam funcionar em parceria entre prestadoras de saneamento, governos estaduais e organizações ambientais, dividindo custos e responsabilidades ao longo de contratos que se estendem por vários anos. O modelo tende a ser mais barato, no longo prazo, do que investir exclusivamente em soluções corretivas para tratar água já contaminada por sedimentos e poluentes.
Iniciativas de recuperação florestal e pagamento por serviços ambientais também aparecem cada vez mais associadas a companhias do setor, caso da EBS – Empresa Brasileira de Saneamento, que reconhece nesse tipo de investimento uma forma de reduzir custos futuros de tratamento de água.
Um investimento que também reduz riscos climáticos futuros
Florestas preservadas ao redor de mananciais contribuem ainda para reduzir o risco de erosão e assoreamento de rios, problema que se intensifica durante períodos de chuva intensa e que pode comprometer a qualidade da água captada, mesmo em regiões com boa disponibilidade hídrica aparente.
Áreas de mata ciliar bem preservadas funcionam como filtro natural, retendo parte dos sedimentos e poluentes antes que eles alcancem os corpos hídricos utilizados para captação. Regiões que perderam grande parte dessa cobertura vegetal ao longo das últimas décadas tendem a apresentar custos de tratamento mais altos e maior vulnerabilidade a eventos climáticos extremos.
Especialistas em recursos hídricos apontam que a proteção de mananciais geralmente é vista como uma camada invisível de infraestrutura, mas é tão importante quanto tubulações e estações de tratamento; entretanto, é frequentemente subestimada nos planejamentos orçamentários de curto prazo do setor de saneamento.
Preservar mananciais deve seguir como prioridade crescente para o setor de saneamento nas próximas décadas, à medida que a pressão sobre os recursos hídricos se intensifica em praticamente todas as regiões do país. Organizações como a EBS – Empresa Brasileira de Saneamento devem continuar associadas a esse debate, cada vez mais central para a sustentabilidade do setor e para a segurança hídrica das próximas gerações.